Blog da Patrícia Pereira

Textos informativos e reflexivos sobre saúde emocional, psicanálise e psicoterapia, elaborados com cuidado, ética e fundamentação clínica, para apoiar sua jornada de autoconhecimento.

04 jun. 2025 • Por Patrícia Pereira — CRP 06/191146

Trauma

Traumas são experiências emocionalmente intensas e muitas vezes perturbadoras, que ficam registradas no inconsciente quando, no momento do evento, não podemos dar conta do mesmo. Essas experiências podem ser acontecimentos difíceis, como perdas, abusos, acidentes ou qualquer outra situação que cause um impacto profundo na vida de uma pessoa.

Muitas vezes, o trauma não é totalmente processado ou elaborado conscientemente, o que faz com que ele possa influenciar o comportamento, os sentimentos e até mesmo reverberando na saúde mental de forma inconsciente.

A psicoterapia busca explorar esses traumas escondidos, ajudando o paciente a compreender e integrar essas experiências, promovendo assim uma maior compreensão de si mesma e um caminho para a cura. É um processo delicado, que envolve escuta, reflexão e o trabalho de trazer à tona esses conteúdos reprimidos, para que possam ser enfrentados e resolvidos de forma saudável.

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04 jun. 2025 • Por Patrícia Pereira — CRP 06/191146

Luto

O luto é uma experiência universal que todos enfrentamos em algum momento da vida. Na psicanálise, ele é entendido como um processo psicológico pelo qual a pessoa passa para lidar com a perda de alguém querido, de uma relação importante ou até de uma parte de si mesma — saúde, emprego, ente querido, animais de estimação, relações. Esse processo envolve uma série de emoções intensas, como tristeza, raiva, culpa e saudade.

Muitas vezes, essas emoções ficam reprimidas ou não totalmente elaboradas, o que pode dificultar a superação da perda.

Na abordagem psicanalítica, o luto é visto como uma jornada de elaboração interna, na qual o indivíduo precisa confrontar seus sentimentos, aceitar a ausência e, aos poucos, reinvestir sua energia em novas possibilidades de vida. É importante entender que esse processo não tem um tempo fixo — cada pessoa vive o luto de uma maneira única.

Na psicoterapia, o processo envolve auxiliar o paciente a explorar esses sentimentos, compreender suas raízes e facilitar a integração da perda na sua história de vida. Assim, o luto pode se transformar em uma oportunidade de crescimento, permitindo que a pessoa siga em frente com mais compreensão de si mesma.

Lembre-se: passar pelo luto é um passo importante para a cura emocional. Com paciência, apoio e compreensão, é possível atravessar esse momento difícil e encontrar um novo sentido para a vida.

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13 ago. 2024 • Por Patrícia Pereira — CRP 06/191146

O Inconsciente

Nós "resistimos"...

Resistir é a expressão que Freud usa para esclarecer a força que fazemos quando não queremos ou não podemos lembrar — por motivos como educação, valores sociais — de coisas desagradáveis que nos aconteceram. Assim, diz ele, nós resistimos! E para onde vão as nossas experiências do passado que esquecemos? Estão no inconsciente. E como elas foram para lá? Foram recalcadas, empurradas pela repressão.

Para melhor esclarecer sobre essa dinâmica psíquica, Freud relata uma história que acontece assim: durante uma palestra, um sujeito no auditório começa a se comportar mal, falando e rindo muito alto. Assim, os seguranças do local são chamados a colocarem o sujeito para fora da sala, após um grande embate corpo a corpo. O sujeito está agora reprimido e a palestra pode voltar a acontecer.

Deste modo, Freud diz que, para que tal acontecimento não se repita, o sujeito desordeiro não volte — os guardas necessitam ficar sentados próximos à porta, para que impeçam o sujeito de entrar novamente na palestra. Os guardas da porta então são chamados de "resistência".

Em termos da psicanálise, o que queremos esquecer, tirar da nossa consciência (o auditório), comparamos ao sujeito desordeiro; os guardas são a força da repressão; e onde os guardas prendem o desordeiro seria o inconsciente. Estes mesmos guardas não saem da porta, para que o desordeiro não retorne. Por isso, não conseguimos lembrar o que reprimimos.

Segundo Freud, é assim que a mente humana funciona — ela é sempre dividida entre o que pode ficar na consciência e o que não pode. Porém, Freud observa que o desordeiro da palestra não fica quieto atrás da porta: ele volta a gritar mais alto ainda, talvez com muitas verdades a nos dizer...

E como ouvimos tais barulhos que foram expulsos do nosso salão (que representa nossa parte consciente e aceitável)? Poderemos então escutar o nosso inconsciente quando ele se expressa através de nossos sonhos, atos falhos (trocas de nomes, esquecimentos, foras ou gafes) e também através dos sintomas, que são expressões dos conflitos entre o consciente e o inconsciente. Portanto, tudo que foi reprimido vai querer voltar e se fazer ouvir!

Ah, a Psicanálise! Ela é mesmo interessante! Pois tais "ruídos chatos" irão sempre reaparecer, em diferentes graus, para todos nós. A Psicanálise nos aponta, a todos, como um pouco neuróticos, pois todos necessitamos em algum momento da nossa história reprimir coisas desagradáveis, inconvenientes e insuportáveis para a nossa consciência.

Todos temos lugares dentro de nós onde são guardados o que é proibido pela nossa "polícia" interna — que nos pressionam e querem se manifestar!

Fonte: O livro do Psicólogo (Yudith Rosenbaum)

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05 ago. 2024 • Por Patrícia Pereira — CRP 06/191146

A diferença entre Terapia e Psicoterapia

Vocês sabem a diferença entre Terapia e Psicoterapia? Vamos lá!

A origem da palavra "psico" vem do grego "psyché", como algo que tem sentido da alma, do espírito, do intelecto. A palavra "terapia" vem de "therapeúein", também do grego, onde traz significados como cuidar, servir, honrar.

Quando falamos de psicoterapia estamos nos baseando nos tratamentos direcionados aos cuidados da saúde emocional, mental, intelectual e espiritual dos pacientes. Muito comum ouvirmos dizer que sair com amigos, viajar, fazer atividades físicas etc. é uma "terapia" — porém, não são. Podem sim ser cuidados terapêuticos, mas não é um tratamento realizado por profissionais com técnicas devidamente voltadas para cuidar do sofrimento psíquico.

A palavra "terapia" denota e engloba uma grande opção de cuidar, zelar e tratar um paciente. Pode, por exemplo, significar o tratamento para alguma doença, que pode ser tratada com acupuntura, terapia ocupacional, arte-terapia — sendo mais específicas e direcionadas para uma área ou para o paciente como um todo.

A Psicoterapia tem como foco os cuidados para a prevenção e a promoção da saúde emocional do paciente, com objetivo principal no sofrimento psíquico como um todo — como um ser biopsicossocial — sendo realizado por um profissional graduado em psicologia ou por um médico psiquiatra. Cada um, dentro de sua formação, utilizará de técnicas pertinentes dentro de cada abordagem, sempre com foco na melhora contínua da qualidade de vida psíquica do paciente.

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21 jul. 2024 • Por Patrícia Pereira — CRP 06/191146

O Psicólogo e o Psicanalista

Vocês sabem a diferença entre o Psicólogo e o Psicanalista? Vamos lá!

Muitas pessoas têm dúvida sobre qual é a diferença entre o Psicólogo e o Psicanalista. Muitos pacientes acham que todo psicólogo é psicanalista. Mas não é.

Quando se termina a faculdade de psicologia, somos apenas psicólogos. E ao término da faculdade é que iremos nos direcionar para alguma área de atuação — que é muito ampla na psicologia — podendo assim atuar em diversos contextos, entre eles hospitalares, escolares, organizacionais, na saúde pública e nos consultórios particulares.

Iremos também definir, em muitos casos por identificação, a abordagem — ou seja, uma linha teórica — para seguirmos com nossa atuação, podendo ser ela psicanálise, a psicologia junguiana, a behaviorista, o psicodrama, a cognitiva comportamental, entre outras. As linhas teóricas, assim como o campo de atuação, são amplas, possibilitando ao psicólogo seguir a que fizer mais sentido.

O que determinará um Psicólogo tornar-se um psicanalista será a linha teórica escolhida por ele. Assim, a linha teórica escolhida pela maioria é a que tem suas bases criada por Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise.

Deste modo, o psicanalista segue, após a faculdade de psicologia, realizando cursos relacionados à psicanálise, grupos, seminários, pós-graduação, eventos, congressos — tendo ou não Freud como sua principal linha de trabalho, pois na psicanálise há vários outros teóricos.

Podemos dizer que o psicanalista não se forma: ele necessita estar sempre em contínuo estudo, pois o ser humano — principal objeto de seu estudo e trabalho — é único, cada um dentro de sua singularidade, sendo acolhido com muito respeito, ética e empatia.

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