Nós "resistimos"...
Resistir é a expressão que Freud usa para esclarecer a força que fazemos quando não queremos ou não podemos lembrar — por motivos como educação, valores sociais — de coisas desagradáveis que nos aconteceram. Assim, diz ele, nós resistimos! E para onde vão as nossas experiências do passado que esquecemos? Estão no inconsciente. E como elas foram para lá? Foram recalcadas, empurradas pela repressão.
Para melhor esclarecer sobre essa dinâmica psíquica, Freud relata uma história que acontece assim: durante uma palestra, um sujeito no auditório começa a se comportar mal, falando e rindo muito alto. Assim, os seguranças do local são chamados a colocarem o sujeito para fora da sala, após um grande embate corpo a corpo. O sujeito está agora reprimido e a palestra pode voltar a acontecer.
Deste modo, Freud diz que, para que tal acontecimento não se repita, o sujeito desordeiro não volte — os guardas necessitam ficar sentados próximos à porta, para que impeçam o sujeito de entrar novamente na palestra. Os guardas da porta então são chamados de "resistência".
Em termos da psicanálise, o que queremos esquecer, tirar da nossa consciência (o auditório), comparamos ao sujeito desordeiro; os guardas são a força da repressão; e onde os guardas prendem o desordeiro seria o inconsciente. Estes mesmos guardas não saem da porta, para que o desordeiro não retorne. Por isso, não conseguimos lembrar o que reprimimos.
Segundo Freud, é assim que a mente humana funciona — ela é sempre dividida entre o que pode ficar na consciência e o que não pode. Porém, Freud observa que o desordeiro da palestra não fica quieto atrás da porta: ele volta a gritar mais alto ainda, talvez com muitas verdades a nos dizer...
E como ouvimos tais barulhos que foram expulsos do nosso salão (que representa nossa parte consciente e aceitável)? Poderemos então escutar o nosso inconsciente quando ele se expressa através de nossos sonhos, atos falhos (trocas de nomes, esquecimentos, foras ou gafes) e também através dos sintomas, que são expressões dos conflitos entre o consciente e o inconsciente. Portanto, tudo que foi reprimido vai querer voltar e se fazer ouvir!
Ah, a Psicanálise! Ela é mesmo interessante! Pois tais "ruídos chatos" irão sempre reaparecer, em diferentes graus, para todos nós. A Psicanálise nos aponta, a todos, como um pouco neuróticos, pois todos necessitamos em algum momento da nossa história reprimir coisas desagradáveis, inconvenientes e insuportáveis para a nossa consciência.
Todos temos lugares dentro de nós onde são guardados o que é proibido pela nossa "polícia" interna — que nos pressionam e querem se manifestar!
Fonte: O livro do Psicólogo (Yudith Rosenbaum)